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Camiseta 'kut Marokkaan', da Mind What You Wear.
Retrato de Mariangela Guimaraes
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Amsterdã, Holanda
Amsterdã, Holanda

A roupa como veículo de protesto e reflexão

Data de publicação : 16 Setembro 2009 - 2:02pm | Por Mariângela Guimarães
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Subvertendo expressões usadas por políticos e pela mídia, a designer brasileira radicada na Holanda, Bea Correa, faz da roupa um veículo de protesto e reflexão onde a liberdade de expressão impera.

Depois de ter criado nos últimos anos as camisetas ‘Allochtoon’ (estrangeiro, em holandês); um lenço palestino com a estrela de Davi; a mochila ‘No bombs’, lançada no auge da onda anti-terrorismo, e a coleção ‘Fake’, baseada em reproduções de marcas famosas vendidas por ambulantes, agora Bea Correa lança três novos produtos que prometem dar o que falar: um vestido com a estampa do Subcomandante Marcos, a camiseta ‘kut Marokkaan’ (um xingamento contra os marroquinos usado há alguns anos por um político holandês e que depois caiu na boca do povo) e leggings com palavrões holandeses.

Holanda
Num país onde a xenofobia é crescente, o individualismo é extremamente valorizado e as liberdades de cada um por vezes se chocam, Bea, que há 17 anos vive em Amsterdã, busca justamente a discussão de todos estes temas.

“Sou uma estrangeira aqui, sou uma ‘allochtoon’, e sempre vejo discussões sobre os estrangeiros, pesquisas sobre os estrangeiros. Estava vendo esta semana uma pesquisa que achei um absurdo, que diz que os marroquinos são mais delinquentes porque as mães dão menos carinho para as crianças. Como é que se pode afirmar isso, que a mãe marroquina tem menos afeição que a mãe holandesa? Olho estas notícias, estas pesquisas que eles fazem, e fico atônita. E nós temos que ouvir tudo isso. Eu me sinto uma cobaia neste país.”

Apesar da sensação de ‘cobaia’, ela admira o nível de liberdade de expressão vigente na Holanda, mas confessa que hoje tem mais medo de lançar suas ideias do que no passado. ”Acho que a Holanda está ficando bem menos tolerante. Eu começo a ficar com medo de publicar algumas coisas. Por exemplo, esta camiseta ‘kut Marokkaan’. Tenho um pouco de medo de qual vai ser a reação.”

Kut Marokkaan
Assim como fez com a camiseta ‘Allochtoon’, um termo frequentemente usado de maneira pejorativa, a camiseta ‘kut Marokkaan’ desvirtua a origem da expressão, que ganha novo contexto ao aparecer grafada no peito de um orgulhoso marroquino.

“Me atrai muito o poder de statement que tem a camiseta até hoje. É como se você carregasse um pôster”, diz Bea.

Da mesma forma, os palavrões estampados nos leggings dão um toque de rebeldia e humor ao cotidiano holandês, sempre tão ‘certinho’. De certa maneira, a designer ‘descriminaliza’ o palavrão ao usá-lo como ornamento.

Subcomandante Marcos
Já nas peças estampadas com a imagem do Subcomandante Marcos, a revolução é a tônica. “Sempre fui muito atraída pela revolução, pelos revolucionários”, diz a designer, que acredita que o líder zapatista tem tudo para se transformar num fashion icon, como Che Guevara. “Ele tem aquela máscara e o cachimbo, é uma imagem superinteressante. Ele é hoje o porta-voz dos zapatistas e luta por democracia, por mais liberdade e justiça para os índios no México. É um intelectual pacifista. Ele tem tudo pra ser a nova face da revolução.”

Os vestidos estampados com o retrato do Subcomandante Marcos foram confeccionados com camisetas trazidas do México – ilegais, segundo a vendedora de quem comprou - e com tecido brasileiro, 50% algodão e 50% poliéster feito de garrafas PET recicladas.

Na fronteira da legalidade
Fundadora e diretora criativa da plataforma de designers Mind What You Wear (www.mindwhatyouwear.com ), a proposta da designer brasileira é oferecer um produto diferenciado, “mais interessante e mais inteligente” - uma roupa que não carregue apenas o nome de uma marca. “Eu uso o design e a moda como expressão. Procuro expressar minhas idéias, dar minha opinião sobre a sociedade. É um trabalho engajado. Acho que por isso às vezes caio na ilegalidade, na polêmica.”

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